O centro de usinagem vertical é uma máquina CNC utilizada para executar diferentes operações de usinagem com precisão, repetibilidade e troca automática de ferramentas.
Nesse equipamento, o eixo-árvore fica posicionado verticalmente, fazendo com que a ferramenta trabalhe sobre a peça fixada na mesa. Em uma única preparação, a máquina pode realizar operações como fresamento, furação, mandrilamento, alargamento e rosqueamento.
Por reunir diferentes recursos em um mesmo equipamento, o centro de usinagem vertical pode reduzir movimentações entre máquinas, diminuir o número de preparações e aumentar a regularidade da produção.
Entretanto, a escolha do modelo adequado deve considerar muito mais do que preço ou tamanho. Cursos dos eixos, capacidade da mesa, rotação do spindle, cone, magazine de ferramentas, comando CNC e características das peças precisam fazer parte da análise.
O que é um centro de usinagem vertical?
Um centro de usinagem vertical, também conhecido pela sigla VMC, é uma máquina CNC na qual o spindle ou eixo-árvore está orientado verticalmente.
A ferramenta de corte é instalada no spindle e se movimenta em relação à peça por meio dos eixos programáveis da máquina.
Nos modelos de três eixos, os movimentos principais são:
- Eixo X: deslocamento longitudinal;
- Eixo Y: deslocamento transversal;
- Eixo Z: movimento vertical da ferramenta.
Uma mesa rotativa também pode ser adicionada a determinadas máquinas para criar um quarto eixo, ampliando o acesso a diferentes faces e permitindo a produção de geometrias mais complexas.
Como funciona um centro de usinagem vertical?
Antes do início da produção, a peça é fixada sobre a mesa por meio de uma morsa, dispositivo, placa ou sistema específico de fixação.
O programa CNC define:
- movimentos dos eixos;
- ferramentas utilizadas;
- rotações;
- avanços;
- profundidades de corte;
- pontos de troca de ferramenta;
- aplicação de fluido refrigerante;
- sequência das operações.
Durante o ciclo, o comando numérico coordena os movimentos da máquina e solicita as ferramentas necessárias ao magazine.
O trocador automático retira a ferramenta utilizada e posiciona a próxima conforme a programação. Esse processo permite realizar várias etapas sem que o operador tenha de interromper constantemente a máquina para substituir ferramentas manualmente.
Sistemas CNC atuais também podem incluir recursos de programação, gerenciamento de ferramentas, ciclos de usinagem, medição, comunicação em rede e preparação mais rápida da máquina.
Quais operações podem ser realizadas?
Dependendo da configuração, das ferramentas e do programa, o centro de usinagem vertical pode executar:
- fresamento de superfícies;
- abertura de canais;
- fabricação de cavidades;
- contornos e perfis;
- furações;
- rosqueamentos;
- mandrilamentos;
- alargamentos;
- rebaixos;
- usinagem de alojamentos;
- acabamento de superfícies;
- gravações e marcações;
- interpolação circular.
Os centros de usinagem são utilizados justamente por conseguirem combinar diversas operações em uma mesma preparação.
Quais peças podem ser produzidas?
O centro de usinagem vertical pode ser utilizado para fabricar peças prismáticas, placas, bases, suportes, flanges, blocos, moldes, matrizes, componentes mecânicos e peças com furos, canais, cavidades e superfícies fresadas.
A capacidade real dependerá de fatores como:
- dimensões da peça;
- peso sobre a mesa;
- material;
- formato;
- número de faces usinadas;
- tolerâncias;
- acabamento exigido;
- ferramentas disponíveis;
- cursos da máquina;
- quantidade produzida.
Por isso, a escolha deve começar pelas peças e pelos processos, não apenas pela comparação entre catálogos.
Centro de usinagem vertical e fresadora CNC são iguais?
Os dois equipamentos podem realizar operações de fresamento controladas por CNC, mas um centro de usinagem normalmente possui um nível maior de integração e automação.
Entre os recursos comuns de um centro de usinagem estão:
- carenagem de proteção;
- magazine de ferramentas;
- troca automática;
- refrigeração;
- sistema de lubrificação;
- proteção das guias;
- sinalização operacional;
- gerenciamento de cavacos;
- comunicação com programas externos.
Isso permite organizar diferentes operações dentro de um único ciclo produtivo.
A diferença exata, porém, depende da construção e da configuração de cada equipamento. Existem fresadoras CNC bastante automatizadas e centros de usinagem com diferentes níveis de recursos.
Quais são as vantagens do centro de usinagem vertical?
Realização de várias operações
A mesma máquina pode fresar, furar, rosquear, mandrilar e fazer acabamentos sem retirar constantemente a peça.
Troca automática de ferramentas
O magazine permite armazenar diferentes ferramentas e selecioná-las conforme a sequência programada.
Maior repetibilidade
Depois que a máquina é preparada e o programa é validado, as peças podem ser produzidas com maior regularidade entre os ciclos.
Redução de preparações
Concentrar mais operações em uma única fixação pode reduzir erros decorrentes da retirada e do reposicionamento da peça.
Flexibilidade
A troca de programas, ferramentas e dispositivos permite utilizar a máquina em diferentes famílias de componentes.
Possibilidade de automação
Alguns modelos podem receber quarto eixo, sistemas de medição, robôs, alimentadores, gerenciamento de ferramentas e outros recursos.
Como escolher um centro de usinagem vertical?
1. Analise as peças que serão usinadas
Reúna desenhos, modelos tridimensionais e informações técnicas das peças.
Verifique:
- comprimento;
- largura;
- altura;
- peso;
- material;
- quantidade;
- tolerâncias;
- acabamento;
- número de operações;
- faces que precisam ser acessadas.
Também é importante considerar projetos futuros. Comprar uma máquina que já trabalha constantemente no limite pode restringir o crescimento da produção.
2. Confira os cursos dos eixos
Os cursos X, Y e Z determinam o espaço disponível para movimentação e usinagem.
Eles devem ser suficientes para acomodar:
- dimensões da peça;
- dispositivo de fixação;
- ferramentas;
- aproximação;
- afastamento;
- possíveis mudanças de posição.
Um equipamento pode possuir uma mesa grande, mas ter cursos menores do que o comprador imagina. Por isso, mesa e deslocamentos devem ser analisados separadamente.
O VM800 da Wess, por exemplo, possui mesa de 1.000 × 500 mm e cursos X, Y e Z de 800 × 500 × 500 mm.
3. Avalie a capacidade e o tamanho da mesa
Além das dimensões, verifique o peso máximo permitido sobre a mesa.
Nesse cálculo devem entrar:
- peso da peça;
- morsa ou dispositivo;
- placas;
- cantoneiras;
- elementos de fixação;
- eventual mesa rotativa.
O VM800 apresenta capacidade informada de até 600 kg sobre a mesa. Já o VM1370 possui mesa de 1.400 × 700 mm e capacidade de até 1.000 kg, atendendo peças e dispositivos maiores.
4. Verifique a distância entre o spindle e a mesa
A distância mínima e máxima entre o spindle e a mesa influencia a altura das peças, ferramentas e dispositivos que poderão ser utilizados.
Não basta comparar apenas o curso do eixo Z. É necessário calcular o conjunto formado por:
- altura do dispositivo;
- altura da peça;
- comprimento do porta-ferramenta;
- comprimento da ferramenta;
- espaço necessário para aproximação.
Uma peça pode caber sobre a mesa e ainda assim não deixar espaço suficiente para a ferramenta trabalhar corretamente.
5. Compare rotação, potência e torque
A velocidade do spindle deve ser compatível com:
- material usinado;
- diâmetro das ferramentas;
- acabamento;
- volume de remoção;
- tipo de operação.
Ferramentas pequenas e determinados trabalhos de acabamento podem exigir rotações mais elevadas. Já cortes pesados, ferramentas maiores e materiais resistentes podem depender mais de torque, potência e rigidez.
O VM800 possui rotação de até 10.000 rpm e motor principal de 11 kW. O VMC850 trabalha com até 12.000 rpm e motor principal informado de 7,5 kW. Esses números mostram por que a rotação máxima não deve ser comparada isoladamente: cada máquina possui uma combinação diferente de estrutura, capacidade e desempenho.
6. Observe o cone do spindle
O cone determina a interface entre o spindle e o porta-ferramenta.
Modelos identificados como BT40, BT50 ou outras configurações apresentam diferenças relacionadas a:
- dimensão;
- rigidez;
- peso;
- ferramentas compatíveis;
- capacidade para cortes;
- faixa de aplicação.
Interfaces maiores podem favorecer ferramentas mais robustas e remoções pesadas, mas também aumentam peso e inércia.
A interface do spindle influencia a rigidez da conexão e pode limitar ferramentas longas ou de grande diâmetro.
7. Analise o magazine de ferramentas
Não observe apenas a quantidade total de posições.
Avalie também:
- peso máximo por ferramenta;
- comprimento permitido;
- diâmetro máximo;
- tipo de magazine;
- tempo de troca;
- possibilidade de ferramentas reservas;
- variedade de operações.
Um magazine maior reduz a necessidade de substituições frequentes quando a empresa trabalha com diferentes peças ou programas.
Os modelos VM800, VM1370, VMC850 e VMC1200 apresentados pela Wess possuem magazine para 24 ferramentas.
8. Compare avanço rápido e avanço de corte
O avanço rápido influencia o tempo gasto nos deslocamentos em que a máquina não está removendo material.
Já o avanço de corte está relacionado ao movimento durante a usinagem.
Máquinas com deslocamentos rápidos e troca ágil de ferramentas podem reduzir tempos improdutivos, especialmente em peças com muitos furos, operações e mudanças de posição.
Entretanto, velocidade sem rigidez, controle e processo adequado não garante uma peça melhor. O conjunto deve ser analisado.
9. Confira precisão e repetibilidade
A ficha técnica pode apresentar:
- precisão de posicionamento;
- repetibilidade;
- resolução;
- tolerâncias de fabricação.
A precisão de posicionamento indica a capacidade de chegar ao ponto programado.
A repetibilidade indica a capacidade de retornar ao mesmo ponto em ciclos sucessivos.
Esses dados devem ser comparados com as tolerâncias efetivamente exigidas pelas peças.
10. Escolha o comando CNC
O comando deve ser analisado considerando:
- experiência dos operadores;
- programas existentes;
- assistência disponível;
- recursos de programação;
- comunicação;
- memória;
- ciclos;
- simulação;
- gerenciamento de ferramentas.
A Wess oferece modelos com comandos Siemens e FANUC, dependendo da máquina e da configuração escolhida.
O VM800 utiliza Siemens 808D, enquanto o VM1370 apresenta Siemens 828D. Já o VMC850 possui configuração com FANUC 0i-TF e opção de Siemens 828D.
11. Verifique a possibilidade de quarto eixo
Um quarto eixo pode permitir:
- usinagem de diferentes faces;
- indexação;
- furações radiais;
- peças cilíndricas;
- redução de reposicionamentos;
- maior complexidade geométrica.
O VMC850 possui preparação opcional para instalação de quarto eixo.
Caso a produção envolva geometrias muito complexas, múltiplas faces ou superfícies simultâneas, também pode ser necessário avaliar um centro de usinagem de cinco eixos.
12. Considere refrigeração e gerenciamento de cavacos
Cavacos acumulados podem interferir no processo, na refrigeração, na inspeção e no tempo do operador.
Verifique a presença de:
- transportador de cavacos;
- refrigeração pelo spindle;
- tanque;
- bomba;
- lavagem interna;
- pistola de ar;
- filtros;
- separadores;
- sistemas de alta pressão.
O VMC850 e o VMC1200, por exemplo, são apresentados com transportador de cavacos de fábrica.
13. Avalie instalação e infraestrutura
Antes da compra, confira:
- tensão elétrica;
- potência instalada;
- aterramento;
- consumo de ar;
- dimensões da máquina;
- peso;
- acesso ao galpão;
- capacidade do piso;
- transporte;
- içamento;
- espaço para manutenção;
- refrigeração do ambiente.
Uma máquina adequada ao processo também precisa ser compatível com a estrutura disponível na empresa.
Centro vertical, horizontal, portal ou cinco eixos?
O centro de usinagem vertical é uma solução versátil para diferentes peças prismáticas e operações realizadas principalmente pela parte superior.
Outras configurações podem ser consideradas quando o processo exigir:
Centro de usinagem horizontal
Pode favorecer produção em diferentes faces, utilização de dispositivos com múltiplas peças e melhor escoamento de cavacos em determinadas aplicações.
Centro de usinagem portal
Pode ser indicado para peças grandes, moldes, bases, chapas e componentes que exijam grandes cursos e maior área de trabalho.
Centro de usinagem de cinco eixos
Permite acesso a diferentes ângulos e superfícies, reduzindo reposicionamentos em peças complexas.
A configuração mais indicada depende da geometria, quantidade, precisão e estratégia de fabricação.
Qual é o melhor centro de usinagem vertical?
Não existe um único modelo ideal para todas as indústrias.
O melhor centro de usinagem será aquele que atender:
- às dimensões das peças;
- ao peso dos conjuntos;
- aos cursos necessários;
- às ferramentas;
- ao volume de produção;
- às tolerâncias;
- aos materiais;
- ao nível de automação;
- à infraestrutura disponível.
Uma máquina muito pequena pode limitar o processo. Uma máquina excessivamente grande também pode elevar investimento, ocupação de espaço e custos sem gerar benefícios proporcionais.
Centros de usinagem verticais Wess Máquinas
A Wess oferece centros de usinagem verticais em diferentes capacidades e configurações, incluindo modelos compactos, intermediários e de maior porte.
A linha apresentada no site inclui VM600, VM800, VM1160, VM1370, VMC850, VMC1000, VMC1300 e outras configurações, além de centros portal, horizontal e cinco eixos.
Antes de solicitar uma proposta, envie os desenhos, materiais, dimensões, tolerâncias e volumes previstos. Essas informações ajudam a identificar a máquina e a configuração mais adequadas ao processo produtivo.
Perguntas Frequentes
Executa operações como fresamento, furação, mandrilamento, alargamento, abertura de cavidades e rosqueamento por meio de controle CNC e ferramentas instaladas no spindle.
No vertical, o spindle fica orientado verticalmente. No horizontal, fica posicionado horizontalmente, o que altera o acesso à peça, a fixação e o comportamento dos cavacos.
Sim. Determinadas máquinas podem receber uma mesa ou dispositivo rotativo para indexação e usinagem de diferentes faces.
Depende do modelo. Há máquinas com diferentes capacidades. Diversos centros verticais da Wess possuem magazine para 24 ferramentas.
Compare as dimensões e o peso da peça e do dispositivo com a mesa, os cursos X, Y e Z, as distâncias do spindle e a capacidade máxima informada pelo fabricante.
Sim, desde que a estrutura, o spindle, a potência, o torque, as ferramentas e os parâmetros sejam adequados ao material e à operação.